sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Que você soubesse

Eu queria que você soubesse que minha cor preferida é roxo. Quer dizer, quase sempre é roxo. Mas às vezes é vermelho. Quando eu era pequena (criança no caso) perguntaram minha cor predileta e eu disse "roxo e vermelho". No quesito "cantora", respondi "Fafá de Belém". Mas nunca gostei dela, assim, de verdade. E tampouco consigo me desfazer dela.
Do fundo do meu coração eu gosto mesmo é da Elis Regina. E do Cazuza, da Bethânia, do Chico e de mais mil pessoas; muitas eu nem apertei a mão, mas não faz mal, porque o amor nem sempre precisa de formalidades do tipo "oi, muito prazer, meu nome é...". Eu amo sem olhar às vezes.
Queria que você soubesse que eu gosto muito de flores. Mas, de verdade, não sei cuidar delas. Tenho medo que morram de sede, ou de frio, ou afogadas, ou de insolação (agora que moro numa cidade que o sol é “torrante”). Não conheço a medida das coisas. Da terra. Do mundo, do tempo. E ainda assim as amo, eu posso amar o que desconheço, o mistério, as flores.
Outro dia me disseram que amar desse jeito é banalizar o amor. Mentira. Faz pouco do amor quem vive com régua, quem sonega o riso, quem não mata a bola no peito, quem desvia, quem se defende de ninharia, quem anda em linha reta.
É bom você saber disso, porque isso sou eu. Eu exagero. Engasgo, na maioria das vezes.
Queria que você soubesse. Antes de te dizer tchau. Porque há de ter alguém me esperando, só pra me dizer: "eu também", no lugar de: "eu talvez".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As palavras voltaram

Depois de doses homeopáticas de atenção; depois de trocas de carinho esmigalhadas; depois de ouvir aquele samba triste - e de gritar o samba, e de chorar o samba; depois de comer 18 paçoquinhas e ver que a amargura, tem dias, é troço sem conserto; depois de entupir o ouvido do Anjo da Guarda com prece; depois de 73 quase-melhoras, seguidas por 73 super-recaídas; depois de desgrudar da minha cabeça a foto que a gente nunca tirou; depois de ficar muda...chega. Haveria de recuperar o rebolado. Desfigurado é sujeito que não tem fé. E fé me sobra, que até distribuo ou troco por juízo do bom. As palavras estão voltando. As palavras, se não me foram fiéis, leais não deixaram de ser. As palavras estão voltando. E eu também. Porque um moço de palavra um dia disse que o silêncio precede o esporro. Ninguém me segura.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Angra I

Teu sono
que eu levo na esportiva
esse brinquedo de me deixar a sós
com o mar
interpretá-lo

como as confusas placas que vão brotando
pela Avenida Brasil

por muito tempo indo
estávamos voltando

- Visitando o Blog das 30 pessoas, me deparei com esse texto que me fez lembrar uma pessoa em especial -

Ah sim... a poesia é de Ismar Tirelli Neto e o blog é: http://blogdas30pessoas.blogspot.com

segunda-feira, 31 de agosto de 2009


Ela sonhava em ser alguem na vida
Sonhava em dominar o mundo, com sua graça e sua força
Ela queria correr o mundo, viajar
Queria fazer loucuras - e fez algumas
Queria cantar e só cantar...
Queria amar incondicionalmente e que fosse entorpecidamente amada
Queria ser amiga, amante, leal, só queria ajudar
Ela sonhava em ser feliz
Queria se encontrar nesse mundo doido
Queria ser poetisa
Hoje ela sonha em realmente ser a Grande Mulher que as pessoas dizem - na realidade ela sonha em acreditar nisso
Hoje ela não sabe mais o que quer e nem se quer algo
Perdeu as forças, perdeu a vontade
Hoje ela só quer se encontrar e preencher o vazio que tem lá dentro

sábado, 29 de agosto de 2009

O Resgate da Formiga


Ontem me vi numa situação que eu posso chamar de engraçada.
Fui lavar a minha roupa e quando comecei a encher o tanquinho vi uma formiga desesperada tentando escapar da água. Fiquei olhando pra ela por um tempo pra ver quais eram as opções que ela teria pra escapar ate que a água a alcansasse. A coitada foi por todos os pontos possiveis e não conseguiu achar um lugar - realmente não havia por onde sair, só se ela desse um salto triplo mortal e grudasse na parede do tanque.
A reação normal de qualquer ser humano seria ter jogado água logo em cima dela pra que morresse afogada no esgoto sujo, mas eu como não sou normal adivinhem o que fiz!
Coloquei minha mão proxima dela pra que subisse e depois a joguei no jardim, um lugar que eu considerei seguro pra uma formiguinha indefesa e assustada. Fiquei super feliz por minha atitude eróica kkk.
Aí me peguei pensando: Só Eu mesma pra perder quase 15 minutos analisando as possibilidades de salvar a vida de uma formiga!! Mas na realidade ao pensar na minha vida em geral eu sou assim. Sempre pensando no que fazer para "salvar" a vida dos que estão ao meu redor. Principalmente os que guardo no fundo do coração.
Quanto a formiga, espero que esteja bem agora no quintal da minha casa, feliz e contente com outras formiguinhas. Imagino ela fazendo um churrasquinho pra comemorar a sorte de não ter morrido e espero que nos brindes se lembre da "mocinha" que salvou sua vida e faça alguns em minha homenagem.
E Eu? Bom, Eu continuo aqui, lavando minha roupa e salvando ou tentando salvar outras tantas "formiguinhas" que me cercam e que fazem parte da minha vida!!!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009



Me peguei numa situação engraçada: Te encontrei e tive vontade de rir
Rir de mim, no começo e depois de suas atitudes, claro!
Percebi o quanto você é infantil, o quanto suas atitudes hoje são insignificantes
Não te percebo mais nos lugares
Não procuro seu carro na rua, nem seu rosto nos lugares
Não sinto sua falta em momento algum
É como se tivesse te arrancado aqui de dentro, como eu sempre quis mas nunca fiz
Todos os sentidos que minha vida tinha com você se foram
Nem seu telefone eu sei mais
Mal me lembro o jeito que estava seu cabelo ontem
E o pior de tudo... Não consigo mais lembrar do seu olhar...
E é isso que me assusta: Te olhar e não te reconhecer, não te sentir
Só a vontade de rir, só isso que sinto
Não rir de deboche, mas de felicidade
Fim!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Plágio à Martha Medeiros - Texto Impublicável

Não era amor,
Era o ronco de um carro na esquina.
Não era amor,
Eram noites de filme e D.V.D.
Não era amor,
Era a espera no MSN.
Não era amor,
Eram cheiros e beijos enroscados.
Não era amor,
Eram flores e borboletas na barriga.
Não era amor,
Era samba, pagode... era música.
Não era amor,
Era um carro de relógios azuis.
Não era amor,
Era primavera, verão e todas as estações.
Não era amor,
Eram tatuagens.
Não era amor,
Era entrega, cuidado e compreensão.
Não era amor,
Eram só mais 10 minutinhos.